sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nem tudo que cai na rede é peixe

Era mais um dia ensolarado, bom pra pescar. Estavam lá, todos os pescadores com suas redes, alguns já tinham pesca. E lá se vai a moça distraída e enrosca o pé na rede do pescador, ele bravo olha pra ela e reclama de ter estragado sua pescaria, ela inocentemente diz: Moço me desculpa, só enrosquei meus pés na rede errada.
Mas ela bem sabe que existem outras que não são assim.
Está lá outro moço cuidando da sua pescaria, passa uma dona Loira bonitona, com tudo bem distribuído e pisa na rede errada, o moço vira seu rosto com a intenção de brigar, quando começando pelas pernas, enxerga a dona Loira e começa a admirá-la, fica bobo feito palhaço, faz graça pra ela rir, ele pensa: "Essa eu quero laçar", ela pensa: "Mas um pato pra eu enganar".

Cuidado nem tudo que reluz é Loiro, OPS! Ouro.



P.s: Nada contra Loiros, ruivos, morenos, amarelos, vermelho, raça nenhuma. O essencial é ínvisivel aos olhos, só se vê bem com o coração.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Auto-retrato

É assim...
É sempre assim.
Um pé aqui e o outro nas nuvens, um olho aqui e o outro lá no futuro.
Meu auto-retrato, meio desconfigurado, é somente eu e o meu outro lado.

Confesso

Essa não é muito para acrescentar, é talvez pra você aí sentado do lado da janela, que avista a paisagem olhando além dela, é talvez pra você que virou os olhos sutilmente em direção aquele casal se beijando ou dando aquele abraço, deu um longo suspiro e não disse nenhuma palavra.
Pode ser poesia, ou não passar de rabisco, isso vária, mas chega aqui pertinho, não! Mais perto ainda, preciso cochichar um segredo no seu ouvido.
Eu confesso: Ando sentindo falta de uma mão sobre o meu ombro, um abraço forte, quase interminável, alguém que me olhe e me ache a pessoa mais linda, mesmo que eu não seja e que acredite cegamente que nunca vou ficar feia.


"Sobra tanto espaço dentro do abraço".

terça-feira, 27 de julho de 2010

Não custa nada sonhar...

Sonhando de olhos bem abertos: E lá estou eu outra vez, sentada numa daquelas cadeiras de balanço, feito de madeira, pintada de branco, com uma almofada estampada com flores e um livro na mão, escutando uma música calma, na varanda, ergo os meus olhos por alguns instantes para ver você. Mas quem é você? Eu já não sei! Te olho com ternura, pois sei que em algum momento da vida te escolhi, ou será que foi você que me escolheu? E decidimos, juntos, não apenas eu, escrever nossa história daquele dia em diante, até aqui. Na época eu nem sabia que iria te encontrar, vagava pelo mundo, sonhando, buscando, aprendendo, caindo e levantando, até o dia que eu te encontrei e então não me senti mais só, fui guiada até os seus braços e eu nem sabia quando seria o dia que eu ia chegar, quando seria o dia em que você chegaria, hoje te espero em casa todos os dias, te dou beijo de bom dia, e tem dia que acho que não vou aguentar, tem brigas que eu queria evitar, tem coisas que eu queria manter, sou surpreendida quase todo dia, as vezes com coisas boas, outras vezes nem tão boas assim, mas é essa a nossa vida e de modo algum ela é ruim. A gente constrói todo dia, a gente erra, a gente aprende, a gente planta e a gente colhe, vencemos uma batalha de cada vez e comemoramos as vitórias, "somos beijo de partida e abraço de quem chegou".

A Luz que clareia/ A luz que cega

Eu procuro mais do que palavras, essa sou eu, observando a vida com os meus óculos fundos.

O que seria mais relevante do que a questão da existência? O que seria mais explicatório do que o fator de nada saber?

A ciência promove estudos fabulosos, a filosofia questiona assuntos pertinentes, a história retrata movimentos relevantes. Mas nenhum deles é capaz de explicar o por quê do pulsar do meu coração e desde quando ele começou a bater? Quem o fez? As coisas surgiram simplesmente do nada? Podem me dizer o que for e eu posso ler muitas histórias que divergem entre si, mas quando eu escuto o canto do pássaro, eu penso, quem o faz cantar assim? E não consigo encontrar outra explicação além de "Algo muito maior do que a minha própria existência". Um Deus, que eu não entendo e nem posso explicar. Mas quando movimento meu braço, ou dobro os meus joelhos, quando abro a minha boca e escuto o som da minha própria voz, quando vejo a natureza e todos os animais, só consigo entender que isso é muito muito maior do que o meu próprio ser, e posso até as vezes duvidar, e colocar a prova, mas sempre acabo no mesmo ponto, que devemos ser cautelosos com o conhecimento, ele é capaz de iluminar, abrir os olhos e a nossa mente, mas muita luz também pode ser capaz de nos cegar.